Porque devemos celebrar a vida de Alan Turing?


Há exatamente 110 anos, no dia 23 de junho de 1912, nascia o inglês Alan Mathison Turing, considerado atualmente como o pai da ciência da computação teórica e da inteligência artificial.


Mesmo com todas suas conquistas e contribuições extremamente importantes para a computação e para a área de tecnologia como um todo, não teve o reconhecimento merecido em seu país ainda em vida, já que era homossexual e grande parte do seu trabalho foi coberto pela Lei de Segredos Oficiais.


Por isso é tão importante celebrarmos sua vida e dar cada vez mais visibilidade à sua história, não somente em junho, que é considerado como o Mês do Orgulho LGBTQIA+, mas durante todo o ano!


Leia o post para saber mais.



Quem foi Alan Turing


Fonte: Wikipedia

Alan Turing foi um grande estudioso inglês, que era matemático, lógico, criptoanalista, filósofo, biólogo teórico e cientista da computação.


Através da sua criação, a máquina de Turing, proporcionou a formalização dos conceitos de algoritmo e computação e influenciou consideravelmente o desenvolvimento da ciência da computação teórica.


Turing também ficou muito conhecido por ser um dos responsáveis por decifrar o código de comunicação com submarinos utilizado por oficiais do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial.


Além disso, trabalhou no Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, onde projetou um dos primeiros mecanismos para um computador de programa armazenado, e no Laboratório de Máquinas de Computação da Max Newman, localizado na Victoria University de Manchester, onde ajudou a desenvolver os computadores de Manchester.


Outro grande feito foi seu artigo sobre as bases químicas da morfogênese, onde previu reações químicas oscilantes, como a reação de Belousov - Zhabotinsky.



Porque devemos celebrar sua vida, história e legado


Todos os estudos e conquistas alcançadas por Turing foram essenciais para que pudéssemos chegar aonde estamos hoje, não apenas da área da computação, como no setor de tecnologia como um todo.


Mas infelizmente, em 1952, o cientista foi processado judicialmente por atos homossexuais, já que a Emenda Labouchere de 1885 determinava que "incedecências grosseiras" poderiam ser consideradas como ofensas criminais no Reino Unido.


Para que não fosse preso, Alan aceitou fazer um "tratamento" de castração química com o Dietilestilbestrol, um estrógeno não esteróide sintetizado.


Devido a esses acontecimentos e à mentalidade da sociedade na época, seu trabalho foi pouco divulgado e reconhecido enquanto ainda estava em vida.


No ano de 1954, 16 dias antes de completar 42 anos de idade, morreu por um envenenamento por cianeto. E apesar de algumas evidências de que tenha sido acidental, muitos acreditam ter sido proposital e que ele tenha cometido suicídio.


Atualmente, Alan Turing é amplamente reconhecido como o pai da computação teórica e da inteligência artificial e seus estudos e criações são valorizados mundialmente.


Em 2009, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez um pedido de desculpas público e oficial ao cientista pela maneira como foi tratado em vida, em nome do governo britânico.


E em 2013, a rainha Elizabeth II concedeu a Turing um perdão póstumo e impulsionou a criação de uma lei em 2017, nomeada informalmente de "lei Alan Turing", que retroativamente perdoou todos os homens que haviam sido advertidos ou condenados sob a legislação que proibia atos homossexuais.


Apesar disso, sua história de vida e o legado que deixou precisam ser celebrados e amplamente divulgados, para que a nossa sociedade possa aprender com os erros do passado e ser capaz não só de valorizar nossos cientistas, como também respeitar a individualidade de cada um, sem nenhum tipo de preconceito ou discriminação.



O Jogo da Imitação


Fonte: Google

O Filme "O Jogo da Imitação", lançado em 2014, foi dirigido pelo cineasta norueguês Morten Tyldum e teve seu roteiro feito pelo estadunidense Graham Moore, que se baseou no livro "Alan Turing: The Enigma", de Andrew Hodges.


Indicado em 8 categorias do Oscar, incluindo a de melhor filme, mostra o desafio enfrentado por Alan Turing e outros cientistas do Reino Unido para decifrar o código Enigma, usado por oficiais alemães para enviar mensagens aos submarinos durante a Segunda Guerra Mundial.


Além de retratar toda a tensão por trás de uma guerra, a película também ressalta questões como bullying, homossexualidade e a questão da mulher no mundo da tecnologia de forma impactante e ao mesmo tempo sutil, focando na trama principal.

Se você tem interesse na história de Turing, vale muito a pena assistir ao filme e conhecer parte da sua jornada, além de ver a brilhante atuação do ator britânico Benedict Cumberbatch no papel do criptoanalista.



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